sexta-feira, 26 de março de 2010

Inflamação


A inflamaçã ou processo inflamatório é uma resposta dos organismos vivos homeotérmicos a uma agressão sofrida.
A inflamação pode também ser considerada como parte do sistema imunitário, o chamado sistema imune inato, assim denominado por sua capacidade para deflagar uma resposta inespecífica contra padrões de agressão previamente e geneticamente definidos pelo organismo agredido. Esta definição se contrapõe à da imunidade adquirida, ou aquela onde o sistema imune identifica agentes agressores específicos segundo seu potencial antigênico. Neste último caso o organismo precisa entrar em contato com o agressor, identificá-lo como estranho e potencialmente nocivo e só então produzir uma resposta.
À agressão tecidual se seguem imediatamente fenômenos vasculares mediados principalmente pela histamina. O resultado é um aumento localizado e imediato da irrigação sangüínea, que se traduz em um halo avermelhado em torno da lesão (hiperemia ou rubor). Em seguida tem início a produção local de mediadores inflamatórios que promovem um aumento da permeabilidade capilar e também quimiotaxia, processo químico pelo qual células polimorfonucleares, neutrófilos e macrófagos são atraídos para o foco da lesão. Estas células, por sua vez, realizam a fagocitose dos elementos que estão na origem da inflamação e produzem mais mediadores químicos, dentre os quais estão as citocinas (como, por exemplo, o fator de necrose tumoral e as interleucinas), quimiocinas, bradicinina, prostaglandinas e leucotrienos. Também as plaquetas e o sistema de coagulação do sangue são ativados visando conter possíveis sangramentos. Fatores de adesão são expressos na superfície das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos internamente. Estes fatores irão mediar a adesão e a diapedese de monócitos circulantes e outras células inflamatórias para o local da lesão.

Classicamente, a inflamação é constituída pelos seguintes sinais e sintomas:
1.Calor; aumento da temperatura corporal no local
2.Rubor; hiperemia
3.Edema; inchaço
4.Dor;
5.Perda da função.

é possível ainda classificar a inflamação segundo algumas de suas características peculiares, tal como abaixo descrito:

1.Adesiva – inflamação na qual existe uma quantidade de fibrina que provoca a aderência entre tecidos adjacentes.
2.Alérgica – desencadeada por mecanismos alérgicos, como sucede, por exemplo, na asma e na urticária.
3.Atrófica ou Esclerosante – aquela que evolui para a organização do exsudato inflamatório de que resulta cicatrização e atrofia da região afectada.
4.Catarral – processo que é mais frequente na mucosa do aparelho respiratório mas que pode atingir outras mucosas. É caracterizada, fundamentalmente, por hiperemia dos vasos, edema tissular e secreção de muco de consistência viscosa.
5.Crupal – inflamação fibrinosa com produção de falsas membranas não diftéricas.
6.Eritematosa – inflamação congestiva da pele.
7.Estênica – forma aguda com fenômenos circulatórios e calor intensos.
8.Fibrinosa – forma exsudativa em que existe uma grande quantidade de fibrina coagulável.
9.Granulomatosa – processo crônico proliferativo com formação de tecido granuloso ou granulomas.
10.Hiperplásica ou Hipertrófica – cursa com neoformação de fibras de tecido conjuntivo.
11.Intersticial – variedade na qual a reacção inflamatória se localiza preferencialmente no estroma e no tecido conjuntivo de suporte de um órgão.
12.Necrótica – processo intenso com produção de um foco de necrose.
13.Inflamação parenquimatosa – aquela que atinge primordialmente a estrutura nobre e funcional de um tecido ou seu parênquima.
14.Proliferativa – aquela em que o aspecto mais característico é o grande número de macrófagos com neo-formação tecidual.
15.Purulenta ou Supurativa – inflamação em que se forma pús.
16.Reactiva – a forma que surge à volta de um corpo estranho.
17.Reumática – surge como resposta à existência de doenças reumatológicas, ou seja, acometendo primordialmente as articulações.
18.Serosa – aquela em que a exsudação é essencialmente serosa ou de aspecto semelhante ao soro.
19.Térmica – provocada pelo calor.
20.Tóxica – devida a uma substância tóxica ou veneno.
21.Traumática – surge como consequência de um traumatismo.

Por Silvane Soares

sexta-feira, 19 de março de 2010

Acne,Cravos e espinhas

Entenda como surge a acne, conhecida popularmente como cravos e espinhas.

A acne vulgar ou juvenil é um das doenças de pele mais comuns no mundo. Estima-se que até 85% dos adolescentes apresentem acne em algum grau. Apesar de mais comum na adolescência, até 10% das pessoas com mais de 50 anos queixam-se da presença de cravos e espinhas.

Apesar de causar poucas complicações, a acne (principalmente a acne facial) nos casos mais graves, pode causar estragos na auto-estima e na vida social dos jovens. A falta de tratamento ou tratamentos inadequados, podem deixar manchas e cicatrizes inestéticas.

Como se forma a acne?

A acne vulgar é uma doença dos folículos pilo-sebáceos. Explico:

As unidades pilo-sebáceas encontram-se logo abaixo da superfície da pele, sendo numerosas na face, nas costas e no peito. São compostas por um folículo piloso, que é da onde nascem os pêlos, e por uma glândula sebácea, responsável pela produção de sebo, um substância gordurosa responsável pela hidratação da pele

Unidade pilo-sebácea
acne - cravos e espinhas

O processo de formação da acne inicia-se quando há obstrução do canal do folículo, impedindo a drenagem do sebo para a pele. Normalmente essa obstrução se dá quando há uma grande produção de sebo associado a células mortas da pele. A junção desses dois forma uma espécie de rolha ou tampão chamado de comedão. Quando esprememos um cravo, aquela substância branca que sai com uma extremidade preta, nada mais é do que o comedão.

Durante a adolescência, o aumento dos hormônios sexuais estimula uma maior produção de sebo pelas glândulas sebáceas, favorecendo a formação de cravos.

Os comedões são excelentes meio de cultura para uma bactéria que costuma viver na superfície da nossa pele, chamada Propionibacterium acnes. A P.acne invade o folículo e se alimenta das gorduras do sebo, prolifera-se e causa infecção da unidade pilo-sebácea. A partir deste momento, não temos mais um cravo, e sim, uma espinha propriamente dita, composta pelo comedão e uma bolsa de pus ao redor.
acne - cravos e espinhas

Os pacientes com acne grave são aqueles que apresentam glândulas sebáceas hiperresponsivas aos hormônios sexuais, principalmente à testosterona.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Vacina anti-H1N1


Boatos sobre vacina anti-H1N1 são 'irresponsáveis', diz Ministério da Saúde.

GRIPE A: Vacinação de gestantes, doentes crônicos e crianças de até 2 anos começa 2ª

Dados falsos sobre imunização contra nova gripe circulam por e-mail.
Vacina é 'eficaz e segura', reafirma órgão federal.

" E-mails e boatos irresponsáveis como esses ocorrem em todas as campanhas realizadas pelo mundo".

Uma avalanche de e-mails tem circulado dizendo que a vacinação contra a nova gripe pode ser uma grande conspiração para reduzir a população do planeta. A mensagem mais veiculada, dizendo que a vacina contém substâncias tóxicas, foi enviada ao G1 por dezenas de leitores.

O e-mail foi enviado ao Ministério da Saúde, que negou as informações. “Mais de 300 milhões de pessoas já foram imunizadas com essa vacina no Hemisfério Norte, sem qualquer efeito colateral grave. A vacina é eficaz, segura e protege a população”, diz o órgão federal em nota enviada ao G1. “E-mails e boatos irresponsáveis como esses ocorrem em todas as campanhas realizadas pelo mundo.”

O que é Amigdalite?

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Dor de garganta? Febre? Você pode estar curtindo uma amigdalite. Em curtas palavras, amigdalite é a infecção das amígdalas palatinas. O inverno seco e poluído em alguns lugares, contribui para o surgimento e desenvolvimento das amigdalites, que predominam entre as crianças.


As amígdalas são massas de tecido esponjoso linfóide, localizadas na parte de trás da garganta, na entrada das vias respiratórias, nos dois lados da garganta. Elas agem como filtros, ajudando a prevenir que infecções da garganta, boca e seios da face se espalhem para o resto do corpo. As amígdalas também são responsáveis pela produção de anticorpos, que ajudam a combater as infecções na garganta e no nariz. As amígdalas são muito suscetíveis à infecção. A amigdalite, portanto, é a inflamação das amígdalas.

Causas

As amigdalites pode ser tanto de origem viral quanto bacteriana, sendo que esta última pode ser facilmente identificada por apresentar pus, ou seja, aqueles pontos brancos, também conhecidos por placas. Sendo bacteriana, a doença deve ser tratada com antibióticos. As virais, no entanto, não se beneficiam deste tipo de tratamento, possuindo um ciclo próprio e necessitando apenas de medicação para alívio dos sintomas, como antitérmicos e analgésicos.

A amigdalite bacteriana é causada, principalmente, pela bactéria Streptococcus pyogenes, sendo o tipo mais perigoso das infecções de garganta. A febre que atinge os pacientes acometidos por esta bactéria pode mesmo chegar aos 40ºC e ocasionalmente podem se formar abscessos.

As crianças desenvolvem amigdalite quando enfrentam queda na resistência dos seus organismos e variações bruscas de temperatura, típicas desta época do ano.

Fatores de Risco para Amigdalite

Más condições de habitação, presença de animal doméstico na residência, exposição ao fumo e apetite diminuído são possíveis fatores que podem ajudar no desenvolvimento da amigdalite aguda ou na amigdalite de repetição, definida como 5 a 7 episódios de infecção durante o ano.

A amigdalite aguda é hoje, como também foi no passado, uma das infecções de vias aéreas de maior freqüência. Na era pré-antibiótica, a denominação de angina (do latim angere, que significa sufocar) denota bem a gravidade dos quadros clínicos e de suas complicações.

Foi nesta época que surgiu a técnica da amigdalectomia (popularmente conhecida como operação de garganta), então praticada com técnicas rudimentares de anestesia e com altos índices de complicações. Porém, com o desenvolvimento da técnica cirúrgica e dos meios de anestesia, a cirurgia difundiu-se, tornando-se até abusiva.

Após a descoberta dos antibióticos, o controle dos casos mais simples e a diminuição do número de complicações, a amigdalectomia ainda se mantinha como importante indicação, nos casos de infecções de repetição, pois pouca função se atribuía as amígdalas. No entanto, com o desenvolvimento da Imunologia, confirmou-se o envolvimento das amígdalas no processo de defesa do organismo e a dúvida sobre o efeito da cirurgia, sobre a imunidade dos pacientes, começou a ser levantada.

A presença de maior número de infecções está ligada principalmente a piores condições sócio-econômicas, como ocorre com a população pobre, que geralmente habita locais pequenos e com grande número de moradores, aliadas à presença de animais domésticos, à exposição passiva ao tabaco, e à falta de alimentação adequada das crianças, fazendo com que estes sejam os potenciais fatores de risco para o aparecimento desses quadros.

Sintomas

Além da dor e da febre, o inchaço dos gânglios (íngua), em qualquer lado do pescoço e da mandíbula, também serve como indicativo da amigdalite. Dor de ouvido, dificuldade para engolir, calafrios, dor de cabeça, hálito diferente, mudanças no paladar e no olfato, dores musculares, dor de barriga e vômitos são outros dos sintomas comumente relatados.

Complicações e Tratamento

A amigdalite, se não tratada, pode trazer algumas complicações secundárias, como febre reumática ou "reumatismo no sangue" (patologia que lesa o coração de forma grave, podendo também acometer outros órgãos e que ocorre nos casos de amigdalite bacteriana não tratada ou parcialmente tratada), surdez, problemas nos rins e no coração. A amigdalite pode levar também a casos graves, inclusive de septicemia e choque bacteriano, que correspondem a infecção do sangue.

Cirurgia e Antibióticos

A retirada das amígdalas deixa o organismo desprotegido da sua ajuda, no combate às infecções, na medida em que elas são o primeiro escudo contra as bactérias, que querem invadir o organismo. Pessoas sem amígdalas desenvolvem mais faringites. Portanto, é um procedimento que deve ser evitado ao máximo, assim como se deve evitar os excessos na administração de antibióticos, muitas vezes tomados sem a orientação médica e na dosagem errada, o que não ajuda em nada no tratamento da infecção. Como qualquer medicamento, eles provocam reações no organismo, além de favorecer ao aparecimento de bactérias resistentes, quando utilizados indiscriminadamente.

Prevenção e Tratamento.

O desconforto causado pela amigdalite, principalmente em crianças, pode ser aliviado com o gargarejo de uma solução contendo uma pitada de sal, dissolvido em meio copo de água morna. Bebidas mornas, como chás (com ou sem mel) e sopas, assim como outros alimentos macios, se forem toleráveis, ajudam a criança a manter-se alimentada, apesar da dificuldade para engolir.

Água gelada, andar descalço, tomar chuva, não trazem a doença, mas são fatores que podem produzir variações de temperatura, estabelecendo um melhor terreno para a instalação da bactéria.

Mas o fundamental é a ida ao médico, para o diagnóstico correto e a instituição de um tratamento adequado, no máximo 48 horas após o inicio dos sintomas. A amigdalite bacteriana responde muito bem ao tratamento com penicilina ou antibióticos derivados dela, ou no caso de alergias a este antibiótico, a eritromicina pode ser uma boa escolha. Outros antibióticos existem e podem ser indicados pelo medico que avalia a criança. A febre irá ceder 48 horas após o início do tratamento.

Nunca medique seu filho por conta própria. Ele pode ter crescido e assim a dose do medicamento estará fraca e isso será o mesmo que não tratar.

A amigdalite tem um alto contagio entre familiares, e só após aproximadamente 48 horas de tratamento, é que diminui este risco. Portanto o cuidado, principalmente entre irmãos, deve ser instituído, e se sintomas semelhantes aparecerem o médico deverá novamente ser consultado.

terça-feira, 16 de março de 2010

Câncer do colo do útero


No Brasil, estima-se que o câncer do colo do útero seja o terceiro mais comum na população feminina, sendo superado pelo câncer de pele e pelo de mama. Este tipo de câncer representa 10% de todos os tumores malignos em mulheres.
- Fatores de risco:
Vários são os fatores de risco identificados para o câncer do colo do útero. Os fatores sociais, ambientais e os hábitos de vida, tais como baixas condições sócio-econômicas, atividade sexual antes dos 18 anos de idade, pluralidade de parceiros sexuais, vício de fumar (diretamente relacionado à quantidade de cigarros fumados), maus hábitos de higiene e o uso prolongado de contraceptivos orais são os principais.
- Prevenção:
O exame preventivo do câncer do colo do útero - conhecido popularmente como exame de Papanicolaou - é indolor, barato e eficaz, podendo ser realizado por qualquer profissional da saúde treinado adequadamente, em qualquer local do país, sem a necessidade de uma infra-estrutura sofisticada. Ele consiste na coleta de material para exame na parte externa (ectocérvice) e interna (endocérvice) do colo do útero. O material coletado é afixado em lâmina de vidro, corado pelo método de Papanicolaou e, então examinado ao microscópio. A fim de garantir a eficácia dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nos dois dias anteriores ao exame e não submeter-se ao exame durante o período menstrual.
- Quando fazer o preventivo?
Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico, especialmente dos 25 aos 59 anos de idade. O exame deve ser feito dez ou vinte dias após a menstruação, pois a presença de sangue pode alterar o resultado. Inicialmente o exame deve ser feito a cada ano. Se dois exames anuais seguidos apresentarem resultado negativo para displasia ou neoplasia, o exame pode passar a ser feito a cada três anos.
- Sintomas do câncer do colo do útero:
Quando não se faz prevenção e o câncer do cólo do útero não é diagnosticado em fase inicial, ele progredirá, ocasionando sintomas. Os principais sintomas do câncer do colo do útero já localmente invasivo são o sangramento no início ou no fim da relação sexual e a ocorrência de dor durante a relação sexual.
- Tratamento:
Só um profissional de saúde pode avaliar adequadamente cada caso e fazer a indicação de um tratamento adequado.
Fazer o tratamento é:
só tomar remédio ou passar pomadas e cremes que forem indicados pelo serviço de saúde; - tomar a quantidade indicada e nas horas certas, até o final do tratamento. Não pare de tomar os remédios e/ou de colocar as pomadas antes do tempo indicado, mesmo que os sintomas desapareçam. A doença pode ficar "escondida"; - retornar ao serviço de saúde sempre que for marcado; - manter seu exame preventivo em dia.


Fonte: BVS - Ministério da saúde

Postado por: Silvane Soares

DPOC


Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma doença crônica, progressiva e irreversível que acomete os pulmões e tem como principais características a destruição de muitos alvéolos e o comprometimento dos restantes. Ocorre com mais freqüência em homens com idade mais avançada. Pessoas que tiveram tuberculose também podem desenvolver a doença.
Os principais sintomas dos pacientes são a limitação do fluxo aéreo (entrada e saída do ar), principalmente na fase expiratória, a
dispnéia (falta de ar), a hiperinsulflação dinâmica que leva ao encurtamento das fibras musculares do diafragma, fadiga muscular, insuficiência respiratória entre outros.
Os principais fatores desencadeadores do DPOC (
enfisema e bronquite crônica) estão relacionados principalmente ao tabagismo, seguido de exposição passivo do fumo (pessoa que vive junto com o fumante), exposição à poeira por vários anos, poluição ambiental, e até fatores genéticos nos casos que se comprova a deficiência de enzimas relacionadas à destruição do parênquima pulmonar (estruturas dos pulmões).

O início do tratamento do portador de DPOC é a interrupção do tabagismo. Podem ser usados antiinflamatórios,broncodilatadores e corticoides orais e inalatótios. A reabilitação pulmonar (através de uma equipe multidisciplinar) melhora a ventilação. A oxigenoterapia pode ser necessária em casos mais avançados.
Por Silvane Soares

segunda-feira, 15 de março de 2010

Recém-formada criou método de ensinar biologia a deficientes visuais. Para fazer o material didático, ela usa diversos apetrechos do dia a dia.


Em dezembro do ano passado, o Alô, Professor publicou matéria sobre a inclusão de deficientes visuais em aulas de física. O título era 'Física na ponta dos dedos', No final do texto, lançamos a questão: 'material de inclusão para cegos já existe [...]. A pergunta é – como fazer agora para incluir os educadores nessa jornada?".
Material de inclusão para cegos já existe. A pergunta é: como fazer agora para incluir os educadores nessa jornada?
Pois bem, no início deste mês de fevereiro chegou a seguinte mensagem na redação: “[...] Li a reportagem ‘Física na ponta dos dedos’ e gostaria de dar ciência que também [...] produzi um material tátil sobre 'síntese de proteínas para alunos cegos do Ensino Médio [...]'".
Soou, de certo modo, como uma resposta indireta ao nosso questionamento. Então há mais pessoas produzindo material para deficientes visuais do que pensávamos? E muito mais próximas de nós do que pensávamos... E é gente jovem. A remetente: Bianca Navarro, 28 anos, recém-formada em biologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro.

Não é coincidência que Bianca tenha estagiado no Pedro II (RJ), colégio que já desenvolve programas de inclusão, como mostramos na reportagem anterior. Por lá, Bianca tomou contato com o braile e com o ensino para cegos. Logo, estava também envolvida com o Instituto Benjamin Constant, especialista em lidar com deficientes visuais. No Instituto, ela aperfeiçoou a técnica de produzir material didático de biologia com película de PVC e matrizes que simulam organismos celulares (nesta parte, Bianca ‘brinca’ com miçangas, elásticos, linhas etc.). A impressão na película de PVC é feita e o material ganha o relevo desenhado pelas mãos e e pela criatividade de Bianca.
– A primeira vez em que entrei numa sala com cegos tomei um susto. É difícil ensinar e explicar, por exemplo, que uma substância é mais ‘concentrada’ que a outra. Estes conceitos são abstratos até mesmo para videntes, imagina para quem não vê – conta Bianca, que deu a entrevista na casa dos pais, onde mora.
A monografia de final de curso de Bianca na faculdade foi exatamente sobre o tema. A bióloga quer aprofundar no mestrado a técnica de inclusão precursora que ajudou a criar. Até então, não se trabalhava em aulas de biologia desta maneira.
– Busco contornos simples, linhas e relevos fáceis de compreender. Percebi que se o material tiver muitos detalhes, muitas informações, o aluno cego acaba se perdendo na leitura.

Bianca atualmente dá aula em uma escola na Ilha do Governador (RJ), mas ainda não conseguiu aplicar seu método inclusivo no lugar. A proposta é de que na volta às aulas – finalmente – o material seja usado. Até lá, ela afirma, diante de pais visivelmente ‘corujas’, que consegue ver a alegria dos alunos cegos quando um professor prepara uma aula voltada a eles.
– Os alunos com deficiência visual ficam muito orgulhosos e lisonjeados pelo fato de o professor ter se dado o trabalho e se dedicado para produzir um material voltado especialmente para quem não pode enxergar.
Bianca também parece ter orgulho do seu material. Dá para sentir no olhar.

Por Silvane Soares

Fonte: ciência hoje on-line